A luta que travou contra um cancro raro e agressivo no sistema linfático fez de Reynaldo Gianecchini um homem diferente. Aos 40 anos, o ator brasileiro, galã de várias novelas da TV Globo, encara a vida de outra forma.
“Para mim, é muito claro que todo o processo por que passei foi uma belíssima oportunidade para repensar a vida, para renascer com outro olhar e com outro entendimento. O processo inteiro fez-me ter a certeza de que tive uma oportunidade para mudar a minha base, para que os próximos anos que eu viva sejam com mais certeza acerca das coisas que realmente interessam”, revelou o ator, durante uma curta estadia em Portugal para promover a sua biografia “Giane – Vida, Arte e Luta”.
Depois da vitória sobre esta batalha, Reynaldo Gianecchini está a criar uma instituição solidária, com a qual pretende homenagear o seu pai, que faleceu de cancro em outubro de 2011, quando o ator também ainda enfrentava a doença. “Hoje em dia, já não faço planos a longo prazo. Para mim, passou a ser mais importante o processo do que os resultados dos meus trabalhos. A minha instituição é a única coisa que me faz ter planos a longo prazo. Este projeto já existe há muitos anos, mas agora sinto que está na altura de o amadurecer”, conta.
As vendas do livro reverterão na totalidade para o Centro de Apoio Professor Reynaldo Gianecchini. “Já está a ser construída a sede na minha cidade natal [Birigui, Estado de São Paulo] que é uma zona muito carente. Quero cuidar de crianças, de adolescentes, de idosos. Fomentar um centro de solidariedade de amplo espectro. Este é um projeto que me anima muito a seguir em frente”, diz.
“Quero muito orientar pessoas. Tirá-las da marginalidade e da ignorância e dar-lhes um sentido para a vida. Eu recebi muita coisa incrível durante o meu tratamento e agora tenho uma necessidade enorme de me doar. Quero continuar a corrente que foi criada para mim e adaptá-la ao bem de outras pessoas.”
Giane – Vida, Arte e Luta dá a conhecer vários pormenores da vida do ator. A obra, escrita pelo jornalista Guilherme Fiuza, fala da infância, da experiência como modelo, da separação de Marília Gabriela, da luta contra o cancro e da forma como Gianecchini lidou com a perda do progenitor.
“A morte do meu pai não foi nada difícil para mim. Foi um desligamento muito natural e bonito. Um resgate de relação com muito amor. Falo tranquilamente disso porque foi um capítulo lindo da minha vida que jamais pensei passar com tanta serenidade. O meu pai morreu nos meus braços e eu a cantar, tamanha era a tranquilidade com que eu estava”, desvenda. Durante a luta contra o linfoma nao-Hodgkin, Reynaldo Gianechinni recorreu à ajuda espiritual.
“Foi um cuidado que tive, paralelamente aos cuidados físicos. Embarquei no ‘cuidar-me’ e isso significava não só tratar do meu físico, da minha alimentação, mas também cuidar do meu emocional, da minha cabeça, da minha espiritualidade. Precisei de encontrar-me e autoconhecer-me. Quando se encara a morte, há um momento em que é preciso apegar-se a alguma coisa. A morte coloca-te em contacto com a solidão. É um caminho que só você pode trilhar. Então, acho importante que você se conecte a algo que te ligue a uma razão para existir”, explica.
Ultrapassada esta luta, o ator sente-se atualmente cheio de força. “Agora, sinto-me bem.”
Texto: Ricardina Batista; Fotos: Nuno Moreira
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