No Benfica, Jorge Jesus somou dez títulos. Um recorde para o clube e para o treinador. No entanto, o treinador não conseguiu cumprir a maior promessa que fez ao pai: ser campeão pelo Sporting Clube de Portugal.
Para a história ficam as promessas cumpridas. Jorge tinha prometido ao pai Virgolino ganhar a Taça de Portugal. Conseguiu concretizar esse sonho a 18 de maio de 2014. Nesse domingo, no Jamor, Jesus erguia o troféu, o mais importante para a família.
Um ano depoi, realizava o segundo sonho do progenitor: treinar os leões. Na apresentação, além dos aplausos, foi surpreendido com um vídeo com imagens e fotos do pai Virgolino. Jesus não conteve as lágrimas de emoção.
Virgolino Jesus, ele próprio futebolista do Sporting na década de 1940, foi o responsável por este amor verde e branco. Jorge Jesus tinha apenas 13 anos quando o pai o tornou sócio do clube de Alvalade.
A primeira vitória
Voz tremida, emoção no discurso e lágrimas no rosto. Foi desta forma que Jorge Jesus celebrou o seu primeiro troféu ganho ao serviço do Benfica em 2010. Na altura o seu pai, Virgolino Jesus, tinha 87 anos e acabara de sair de um internamento.
“Nunca dedico vitórias à minha família, mas dedico esta (Taça da Liga) ao meu pai. Que me perdoem os benfiquistas”, disse o técnico, com as lágrimas nos olhos.
Esta sexta-feira, logo pela manhã, a seguir a um treino, Jorge Jesus recebeu a notícia da morte do pai. A dois dias do jogo contra o Braga, o treinador chora a partida daquele que será sempre o seu ídolo.
Uma vida repleta de dor e superação
As vitórias de Jorge Jesus têm sido acompanhadas por algumas tragédias. Com apenas 13 anos, o técnico lidou com a morte, enquanto assistia a um jogo de futebol.
“Em 1967, estive na final, entre o Setúbal e a Académica, com a minha família e o meu avô. No prolongamento, ele sentiu-se mal e morreu a meu lado. Jamais esquecerei”, desabafou Jorge Jesus, dias antes de disputar a sua primeira final da Taça de Portugal.
Horas antes de subir pela primeira vez ao relvado do Jamor, em 2010, Jorge Jesus recordou igualmente outro momento trágico: a morte da sua mãe, Elisa. “A minha mãe sempre uniu a família em seu redor. Desde a sua morte, a proximidade entre todos já não é tanta, mas, ainda assim, somos uma família muito unida”, disse.
Apegado ao pai
Muito próximo do pai, Jorge Jesus dedicou a conquista do seu primeiro título ao serviço das águias a Virgolino Jesus. Na altura, foi impossibilitado de estar com o progenitor no Dia do Pai, tendo aproveitado as folgas para estar ao lado do progenitor.
Apesar de ser pública a forte ligação que unia pai e filho, Jorge Jesus raramente falou sobre o estado de saúde da antiga glória leonina.
Desde 2008 que Virgolino sofria complicações de saúde. Nesse ano, passou seis meses internado. Mais tarde, acabou por passar a viver na Casa de Saúde e Repouso Solar de Canelas, onde morreu esta sexta-feira, dia 28 de abril.
Em 2014, quando o Benfica festejou o 33.º título de campeão nacional de futebol, após a vitória contra o Olhanense por 2-0, Jorge Jesus vivia um misto de tristeza e felicidade. Com a doença agravada do pai, ao contrário do que era habitual, Jesus não contou com a presença do progenitor neste momento marcante da carreira.
“Ele sofre com vários problemas de saúde associados à idade e já nem reconhece o Jorge. O filho sofre muito com tudo isto porque é bastante apegado ao pai”, revela fonte próxima do treinador, que acrescenta ainda que sempre que pode, Jorge Jesus “faz questão de o visitar. O estado de saúde do pai fá-lo sofrer mesmo muito”, referiu á época uma fonte próxima da família.
Texto: Mariana de Almeida com Bruno Seruca; Fotos: Impala, Reuters e D.R.
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